Introdução
A tendinite do Aquiles não insercional — também conhecida como tendinopatia do corpo do Aquiles ou tendinopatia não insercional do calcâneo — é uma condição dolorosa e relativamente comum, especialmente em pessoas fisicamente ativas ou em atletas. Esta patologia acomete a parte média do tendão de Aquiles, geralmente entre 2 a 6 cm acima de sua inserção no osso calcâneo, região que sofre com menor vascularização e maior estresse mecânico.
Estudos apontam que até 9% dos corredores podem apresentar alguma forma de tendinopatia do Aquiles durante sua vida esportiva. Porém, mesmo pessoas sedentárias, com alterações biomecânicas, também estão sujeitas a desenvolver o problema.
Causas Comuns da Tendinite Não Insercional do Aquiles
Entre os principais fatores associados ao surgimento da tendinopatia do Aquiles, destacam-se:
- Aumento súbito de carga ou volume de treino;
- Calçados inadequados;
- Pé cavo ou alterações biomecânicas do tornozelo;
- Doenças inflamatórias sistêmicas;
- Encurtamento da cadeia posterior, especialmente do tríceps sural (músculos gastrocnêmio e sóleo), o que gera sobrecarga constante no tendão. Um exemplo de pessoas que apresentam esse tipo de encurtamento são aquelas que andam predominantemente na ponta dos pés.
O encurtamento muscular contribui diretamente para o aumento da tensão sobre o tendão, dificultando sua regeneração e favorecendo o processo de desgaste, caracterizado principalmente por alterações estruturais como espessamento e desorganização das fibras colágenas.
Tratamento Conservador: Primeira Linha
A primeira abordagem para a tendinopatia não insercional do Aquiles é sempre conservadora. Isso inclui:
- Reabilitação com fisioterapia específica;
- Exercícios excêntricos;
- Controle de sobrecarga e correções biomecânicas;
- Palmilhas personalizadas;
- Medicamentos anti-inflamatórios (com cautela);
- Alongamentos da cadeia posterior.
“A grande dificuldade que enfrentamos quando estamos diante desse tipo de diagnóstico, é que o tratamento conservador depende muito de uma disposição do indivíduo em mudar seus hábitos, introduzindo os alongamentos, fortalecimentos e fisioterapias em sua rotina diária. Nesse tipo de situação vemos que de fato um percentual significativo dos pacientes não consegue aderir.” Dr. Rodrigo Macedo.
Vídeo 1: Alongamento da Cadeia Posterior
Vídeo 2: Fortalecimento excêntrico do tríceps sural
Quando o Tratamento Conservador Falha
Apesar da eficácia da fisioterapia, em muitos casos, alguns pacientes não apresentam melhora significativa após 3 a 6 meses de tratamento bem conduzido. Esse é um cenário frustrante, mas não raro.
A falha no tratamento conservador pode estar relacionada a:
- Diagnóstico incompleto (ex: compressão neural associada);
- Presença de tendinose avançada;
- Lesões intratendíneas crônicas;
- Persistência de encurtamentos musculares profundos não tratados;
- Má adesão ao protocolo de reabilitação.
Neste estágio, o paciente costuma relatar dor persistente, ou até mesmo limitação funcional para caminhar, subir escadas ou retornar ao esporte.
E Agora? Abordagens Avançadas e Especializadas
Quando o tratamento conservador falha, o especialista pode solicitar novos exames, como ressonância magnética, para confirmar a extensão da lesão, presença de fissuras ou calcificações. Além disso, a depender das características do paciente e do tendão, diferentes abordagens podem ser tentadas.
As alternativas terapêuticas podem incluir:
- Terapias regenerativas (PRP – plasma rico em plaquetas, proloterapia);
- Ondas de choque;
- Infiltrações específicas;
- Procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos;
- Cirurgia aberta para desbridamento e reforço tendíneo.
Portanto, a escolha dependerá do grau de degeneração do tendão, da resposta ao tratamento anterior e da demanda funcional e comorbidades do paciente.
Destaque: Alongamento Cirúrgico da Fáscia do Gastrocnêmio
Quando o tratamento conservador falha, uma das abordagens cirúrgicas minimamente invasivas que pode ser considerada é o alongamento da fáscia do gastrocnêmio (também conhecido como gastrocnemius recession). Dessa forma, esse procedimento tem como objetivo reduzir a tensão mecânica excessiva exercida pela cadeia posterior sobre o tendão de Aquiles, especialmente em pacientes com encurtamento muscular persistente que não responde ao alongamento convencional.
Durante a cirurgia, é realizada uma pequena liberação controlada da fáscia do gastrocnêmio — geralmente por via endoscópica ou com incisão mínima —, o que promove maior flexibilidade da panturrilha sem comprometer a força funcional do membro. Além disso, essa intervenção tem mostrado bons resultados na redução da dor e melhora da mobilidade em casos de tendinopatia não insercional do calcâneo refratária.
Evidências científicas
Phisitkul et al. (2012) mostram que a cirurgia endoscópica para tendinopatia do Aquiles e liberação do gastrocnêmio é uma opção minimamente invasiva com menos dor pós‑operatória, menor sangramento, cicatrizes reduzidas e recuperação mais rápida comparada à cirurgia aberta.
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3535153/?utm_source=chatgpt.com
A revisão sistemática de gastrocnemius release conduzida por Christopher J. White et al. (2023) avaliou 145 casos, mostrando melhora clinicamente relevante na dor (VISA‑A e VAS), aumento da amplitude de dorsiflexão, alta satisfação do paciente, com leve redução na força muscular, porém sem prejuízo funcional.
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11058741/?utm_source=chatgpt.com
Segundo uma revisão baseada em 229 artigos com 145 casos, a liberação cirúrgica do gastrocnêmio se mostra eficaz na tendinopatia do Aquiles, especialmente na apresentação não insercional — com ganho de mobilidade, redução de dor, e bons índices de retorno às atividades laborais/esportivas.
https://link.springer.com/article/10.1007/s00167-022-07039-7?utm_source=chatgpt.com
Vídeo 3: mostrando o alongamento do aquiles após procedimento minimamente invasivo em paciente:
Conclusão
A tendinite não insercional do Aquiles é um desafio, especialmente quando não responde ao tratamento conservador. No entanto, com um diagnóstico preciso e abordagem multidisciplinar, a maioria dos pacientes encontra alívio significativo.
Se você já tentou fisioterapia, alongamentos e exercícios específicos sem sucesso, procure um especialista em pé e tornozelo. A avaliação médica adequada pode ser o próximo passo decisivo para a recuperação da sua qualidade de vida e retorno às atividades.
Por isso, sempre procure diagnóstico, orientações médicas e um plano de tratamento individualizado. O Núcleo de Ortopedia Especializada possui especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.
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FAQS
- Qual a diferença entre tendinopatia insercional e não insercional do Aquiles?
A tendinopatia insercional ocorre na região onde o tendão se liga ao osso do calcanhar (calcâneo), enquanto a não insercional afeta o corpo do tendão, mais acima, geralmente entre 2 e 6 cm da inserção.
- Quanto tempo leva para a tendinite do Aquiles melhorar com fisioterapia?
Com um protocolo adequado, a maioria dos pacientes apresenta melhora entre 3 a 6 meses. No entanto, casos refratários podem precisar de outras abordagens.
- Posso continuar fazendo exercícios se tenho tendinopatia do Aquiles?
Depende do grau da lesão. Em geral, atividades que não sobrecarregam o tendão (como natação ou bicicleta leve) podem ser mantidas, mas sempre com orientação profissional.




