O entorse de tornozelo é uma das lesões ortopédicas mais comuns, especialmente em atividades esportivas e durante caminhadas em terrenos irregulares. Na maioria dos casos, a dor e o inchaço melhoram progressivamente com repouso, gelo, imobilização e fisioterapia.
No entanto, algumas pessoas continuam com dor, inchaço ou sensação de instabilidade por semanas ou até meses após a torção. Quando a recuperação não acontece como esperado, pode haver lesões associadas que não foram identificadas na avaliação inicial.
Essas lesões podem envolver cartilagem, ossos, ligamentos ou tendões do tornozelo e, em muitos casos, exigem uma avaliação clínica detalhada e exames complementares para o diagnóstico.

Quanto tempo uma entorse de tornozelo costuma levar para melhorar?
O tempo de recuperação depende da gravidade da lesão.
Em geral:
- Entorses leves podem melhorar em cerca de 2 a 4 semanas;
- Entorses moderadas podem levar de 4 a 8 semanas;
- Entorses mais graves podem exigir um período maior de reabilitação.
Geralmente, quando a dor persiste por mais tempo ou o tornozelo não recupera a estabilidade adequada, é importante investigar se existe alguma lesão associada.
Além disso, uma observação muito importante e que deve ser lembrada é a de que esses tempos são apenas estimativas, e que a capacidade de recuperação individual depende de inúmeros fatores, como condição muscular, presença de doenças e do peso do indivíduo, entre outros.
Lesões que podem passar despercebidas após uma torção do tornozelo:
Algumas lesões são menos evidentes no momento do trauma e podem ser subdiagnosticadas nas primeiras avaliações.
Entre as mais comuns que vejo no consultório estão:
1) Lesão da sindesmose (entorse alta do tornozelo)
A sindesmose é o conjunto de ligamentos que conecta os dois ossos da perna, a tíbia e a fíbula, logo acima do tornozelo.
Lesões nessa região são conhecidas como entorses altas do tornozelo e costumam ter uma recuperação mais lenta.
Geralmente, os sintomas podem incluir:
- dor acima do tornozelo;
- dificuldade para caminhar;
- dor ao girar o pé;
- sensação de instabilidade.
Esse tipo de lesão pode exigir tratamento específico e, em alguns casos, intervenção cirúrgica, principalmente quando associado a instabilidade dessa articulação.
2) Lesões dos tendões do tornozelo
Durante a torção, também podem ocorrer lesões em tendões que ajudam a estabilizar o tornozelo.
Entre os mais frequentemente afetados estão os tendões fibulares, localizados na parte lateral do tornozelo.
Quando lesionados, podem causar:
- dor persistente na lateral do tornozelo;
- sensação de estalo ou deslocamento;
- inchaço recorrente;
- dificuldade para retornar às atividades físicas.
3) Fragmentos ósseos avulsivos
Quando um ligamento sofre um estiramento brusco, ele pode arrancar um pequeno fragmento do osso onde está inserido. Esse tipo de lesão é chamado de fratura por avulsão.
Em alguns casos, o fragmento é pequeno e pode passar despercebido nas primeiras avaliações.
Dependendo da localização, pode provocar:
- dor persistente no tornozelo;
- sensibilidade localizada;
- dificuldade para atividades físicas;
- instabilidade da articulação.
4) Lesões da cartilagem do tornozelo
Durante uma torção, pode ocorrer dano à cartilagem que recobre a articulação do tornozelo. Essas lesões são chamadas de lesões osteocondrais do tálus.
Em alguns casos, pequenos fragmentos de cartilagem ou osso podem se desprender dentro da articulação.
Isso pode causar sintomas como:
- dor persistente no tornozelo;
- sensação de travamento ou bloqueio;
- inchaço recorrente;
- desconforto durante atividades físicas.
Dessa forma, essas lesões frequentemente são identificadas apenas com ressonância magnética ou tomografia computadorizada.
Quando a dor após uma entorse merece investigação?
Todo entorse exige avaliação especializada imediata, pois uma lesão que possa passar já justifica a avaliação. Cuidado de tantos outros entorses “normais”. No entanto, alguns sinais já de cara indicam a necessidade de investigação mais detalhada.
São eles:
- dor persistente por várias semanas após a torção;
- inchaço que não melhora;
- sensação de instabilidade ou falseio do tornozelo;
- dificuldade para retornar às atividades esportivas;
- episódios repetidos de entorse.
Nessas situações, exames como ultrassonografia, ressonância magnética ou tomografia podem ajudar, principalmente a identificar lesões que não aparecem em radiografias simples. Mas a avaliação clínica detalhada ainda é o que faz a principal diferença.
A importância do diagnóstico adequado
Quando lesões associadas à entorse não são identificadas, o paciente pode evoluir com problemas como:
- dor crônica no tornozelo;
- instabilidade recorrente;
- limitação para atividades físicas;
- desgaste precoce da articulação (ARTROSE).
Por isso, um diagnóstico correto permite indicar o tratamento mais adequado, que pode incluir fisioterapia especializada, imobilização ou, em alguns casos, tratamento cirúrgico.

Conclusão
A maioria das entorses de tornozelo evolui bem com tratamento conservador e reabilitação adequada. No entanto, quando a dor, o inchaço ou a instabilidade persistem por um período prolongado, é importante considerar a possibilidade de lesões associadas que podem ter passado despercebidas na avaliação inicial.
Lesões da cartilagem, fragmentos ósseos avulsivos, lesões da sindesmose e lesões tendíneas são exemplos de condições que podem ocorrer após uma torção e que nem sempre são identificadas imediatamente.
Portanto, uma avaliação adequada, associada aos exames de imagem apropriados quando necessário, permite estabelecer um diagnóstico mais preciso e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Por esse motivo, identificar essas lesões precocemente pode ajudar a evitar dor crônica, instabilidade do tornozelo e limitações nas atividades físicas no futuro.
VOCÊ APRESENTA TORCEU O TORNOZELO E AINDA APRESENTA SINTOMAS?
Procure um ortopedista especialista em tornozelo e pés de confiança.
Portanto, sempre busque diagnóstico, orientações médicas e um plano de tratamento individualizado. O Núcleo de Ortopedia Especializada reúne especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.
FAQS
Torci o tornozelo e ainda dói depois de semanas. Isso é normal?
Na maioria das entorses leves, a dor costuma melhorar gradualmente em algumas semanas. No entanto, quando o desconforto persiste por muito tempo, pode haver lesões associadas que não foram identificadas inicialmente, como lesões da cartilagem, fragmentos ósseos, lesões ligamentares mais complexas ou lesões tendíneas.
Nesses casos, uma avaliação médica pode ser necessária para investigar a causa da dor persistente.
A radiografia pode não mostrar todas as lesões do tornozelo?
Sim. A radiografia é útil principalmente para identificar fraturas maiores, mas algumas lesões não aparecem nesse exame.
Lesões que podem não ser detectadas em radiografias incluem:
- lesões da cartilagem do tornozelo;
- fragmentos osteocondrais;
- lesões ligamentares complexas;
- lesões da sindesmose;
- lesões de tendões.
Nessas situações, exames como ressonância magnética ou tomografia podem ser necessários.
O tornozelo pode ficar instável após uma entorse?
Sim. Em alguns casos, a entorse pode causar instabilidade crônica do tornozelo, principalmente quando há lesão ligamentar significativa.
Os sintomas mais comuns incluem:
- sensação de falseio do tornozelo;
- entorses repetidas;
- dificuldade em atividades esportivas;
- insegurança ao caminhar em terrenos irregulares.
Dessa forma, o tratamento pode incluir fisioterapia específica ou, em alguns casos, tratamento cirúrgico.
É possível ter uma fratura mesmo com diagnóstico inicial de entorse?
Sim. Algumas fraturas pequenas, chamadas de fraturas por avulsão, podem ocorrer durante uma entorse e passar despercebidas inicialmente.
Em geral, essas fraturas acontecem quando um ligamento arranca um pequeno fragmento do osso durante o trauma.
Além disso, dependendo do caso, podem causar dor persistente ou instabilidade no tornozelo.
Quando devo procurar um especialista em pé e tornozelo?
É recomendável procurar avaliação especializada quando:
- a dor persiste por várias semanas após a entorse;
- o tornozelo permanece inchado;
- existe sensação de instabilidade ou falseio;
- há dificuldade para retornar às atividades físicas;
- ocorrem entorses repetidas.
Assim, a avaliação especializada permite identificar possíveis lesões associadas e orientar o tratamento adequado.




