O PÉ PLANO (CHATO)
A presença do pé plano ou pé chato no adulto é uma condição comum, podendo atingir até 10% das mulheres acima dos 60 anos. No entanto, também é bem comum em indivíduos mais jovens e do sexo masculino, podendo ser um fator que afeta a qualidade de vida.
Assim, uma boa parte dos pés planos são assintomáticos, mas quando a deformidade piora e começa a levar a um quadro doloroso e incapacitante pode fazer parte de um conjunto de deformidades conhecida como DEFORMIDADE COLAPSANTE PROGRESSIVA DO PÉ.

O QUE SENTE A PESSOA QUE TEM PÉ PLANO?
A forma de apresentação da doença pode ser muito variada. No entanto, a queixa mais comum nos casos iniciais é a dor sobre o trajeto do tendão tibial posterior.

Quando a doença e a deformidade progridem, outros sintomas podem surgir e as deformidades aparecendo, sem que exista uma ordem ou sequência específica, e o paciente pode apresentar combinações diferentes que irão compor ao formato do seu pé.

Ocorre o desabamento das estruturas que sustentam o arco e que de fato caracteriza o pé plano.

Pode-se perceber que o pé esquerdo aponta para o lado de fora, que caracteriza a abdução. Essa deformidade atrapalha no uso de calçados, que costuma ser uma queixa frequente desses pacientes.

O calcanhar aponta para “fora”, mudando o eixo de ação do pé no seu contato ao solo.

Esse movimento de lateralização do pé pode ser tão intenso a ponto do calcanhar atritar ou impactar na ponta da fíbula, esse ossinho que fica do lado de fora do tornozelo. Isso também pode ser fonte de dor e incomodo.
COMO É O TRATAMENTO SEM CIRURGIA?
Nas fases iniciais, quando a deformidade ainda não teve uma progressão acentuada, o tratamento sem cirurgia deve ser a primeira opção. Dessa maneira, ele pode ser capaz de melhorar os sintomas e retardar ou parar a progressão da doença. As bases do tratamento devem ter o foco na analgesia, fisioterapia, modificação de hábitos e no ajuste dos calçados.
A literatura médica mostra que de fato existe espaço para esse tipo de tratamento, para saber mais, leia este artigo.
CONTROLE DA DOR
Tem o objetivo de fazer o paciente retornar as atividades do dia a dia, devolvendo a qualidade de vida através do controle dos sintomas dolorosos. Além disso, ajuda também na realização das sessões de fisioterapia e adaptação dos novos calçados.
As opções são:
- Medicamentos anti-inflamatórios ou analgésicos simples, que pode ser feitos de maneira oral, intramuscular ou feitos localmente.
- Medidas locais como termoterapia, laserterapia ou terapias analgésicas baseadas em estímulos elétricos.
FISIOTERAPIA MOTORA
Além de auxiliar na analgesia, a fisioterapia motora pode melhorar o fortalecimento das estruturas musculares responsáveis pela manutenção do arco do pé como o próprio tibial posterior e os músculos intrínsecos do pé, bem como alongando estruturas como o tendão calcâneo, que quando contraturado pode contribuir para o aumento da deformidade e sintomas.
MODIFICAÇÃO DE HÁBITOS
O excesso de peso pode piorar o problema em pacientes portadores de pés planos, logo a perda do excesso pode melhorar muito os sintomas. Seu médico deverá discutir estratégias de perda de peso e, se necessário, encaminhá-lo para um profissional especializado que poderá auxiliar nesse objetivo.
Mesmo sendo difícil fazer exercícios para aumento do gasto energético quando se tem um pé dolorido, existem várias opções de atividades seguras como por exemplo o ciclismo ergométrico ou natação que podem auxiliar o paciente nessa etapa.
A modificação da atividade é uma parte importante do tratamento conservador. Deve ser evitado qualquer atividade que cause desconforto enquanto ainda tiver sintomas. Isso inclui descansar por um curto período de qualquer esporte que você pratique ou, pelo menos, diminuir a quantidade de atividade durante um período de tempo.
CALÇADOS
A fim de proporcionar um caminhar mais confortável e manter os pés bem-posicionados e reduzir a sobrecarga sobre as estruturas afetadas na deformidade colapsante progressiva do pé, o pé plano. Portanto, os calçados devem assumir as seguintes características:

Lembrando que essas são características de um calçado em geral, e não calçados ortopédicos como muitos pacientes costumam perguntar em consulta. A experiência em consultório, prescrevendo esse tipo de calçado para pacientes com essa patologia, nos mostra que existe um período de adaptação variável, mas depois que ele ocorre os pacientes costumam ficar satisfeitos. Tênis e botas de montanhismo podem também apresentar essas mesmas características.

VOCÊ APRESENTA SINAIS E SINTOMAS ASSOCIADOS AO PÉ PLANO?
Sempre procure diagnóstico, orientações médicas e um plano de tratamento individualizado. O Núcleo de Ortopedia Especializada possui especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.
Se você busca auxílio médico para tratar o Pé Plano (chato), procure um ortopedista especialista em tornozelo e pés de confiança, para tirar todas as dúvidas e realizar o tratamento adequado.
RESUMO
O tratamento do pé plano, pé chato, ou deformidade colapsante progressiva do pé tem espaço para o tratamento conservador, isto é, sem cirurgia. O foco principal deve ser de aliviar os sintomas e retardar a progressão a doença. Além disso, muitos pacientes ficam assintomáticos e retornam as suas atividades quando compreendem a doença e focam nos conceitos do tratamento.
REFERÊNCIAS
Progressive Collapsing Foot Deformity: Consensus on Goal for Operative Corretiction – AOFAS
Nonoperative care for the treatment of adult-acquired flatfoot deformit
Posterior tibial tendon insufficiency: which ligaments are involved?
FAQs
- O calçado para tratamento do pé plano deve ser ortopédico?
Não necessariamente. O objetivo do calçado deve ser o de equilibrar a distribuição de forças durante o andar e reduzir a sobrecarga das estruturas mediais. Para isso deve apresentar solados firmes, palmilhas macias e contraforte como mostrado no texto. A presença desses componentes é suficiente para que o calçado apresente as características ideias, sendo assim ele pode ser ortopédico ou não.
- Todo paciente com pé plano precisa ser operado?
Definitivamente não!!! O paciente portador de pé plano só deve ser abordado se o indivíduo apresentar sintomas como dor e progressão da deformidade. Quando isso ocorre, nos estágios iniciais, o ajuste e calçados ou uso de palmilhas associado a fisioterapia e analgesia podem ser suficientes para controlar os sintomas. Contudo, em alguns casos, quando essas medidas não oferecem resultados, as cirurgias para correção da deformidade podem ser necessárias.



