Síndrome do Pé Caído

Joanete do Quinto Dedo (Bunionette)
agosto 26, 2021

A síndrome do pé caído é caracterizada pela disfunção dos músculos dorsiflexores do pé. Essa musculatura age durante o caminhar impedindo que a parte anterior do pé, também conhecida como antepé toque no chão antes do calcanhar, resultando na marcha escavante ou marcha do pé caído.

Síndrome do Pé Caído | Dr. Rodrigo Macedo

Imagem demonstrando paciente que apresenta marcha em pé caído à esquerda. Durante a passada ela arrasta a parte anterior do pé no solo.

Quais as consequências da Síndrome do Pé Caído?

Com a dificuldade de realizar a elevação do pé, por ausência da dorsiflexão do tornozelo, os pacientes costumam realizar grande flexão compensatória do joelho e quadril para impedir que pé arraste no solo. Devido a isso, a dificuldade para andar é uma queixa constante, assim como lesões no pé e quedas frequentes.

Quais as causas ?

 A causa mais comum é a lesão do nervo fibular. Seja ela por luxações do joelho, fraturas da fíbula alta, traumatismos superficiais do joelho, ou iatrogênica (aquelas realizas de forma inadvertida após a realização de algum procedimento médico).

Outras causas:

  • Lesão do corno anterior da medula
  • Radiculopatia de L5
  • Lesão do nervo ciático
  • Lesão tendínea do tibial anterior
  • Neuropatias periféricas
  • Síndrome compartimental
  • Doenças neuromusculares (Guillain Barré, por exemplo)
  • Pós COVID

Síndrome do Pé Caído | Dr. Rodrigo Macedo

Quais exames são necessários para o diagnóstico ?

Os exames que avaliam a condução e estímulos nervosos são a base do tratamento. Sendo assim a eletroneuromiografia (ENMG) faz parte do arsenal diagnóstico. No entanto exames de imagem auxiliam na identificação da causa da lesão. Entre eles estão principalmente a ressonância magnética da coluna, quadril ou joelho, a depender do local da lesão, bem como exames de ultrassonografia voltados para estrutura nervosa afetada.

Imagem de ressonância magnética do joelho | Dr. Rodrigo Macedo

Imagem de ressonância magnética do joelho, demonstrando através da seta branca anormalidade no nervo fibular comum.

Quais os tratamentos?

A escolha tratamento depende fundamentalmente da causa e do tempo de evolução da patologia. Nos casos mais agudos e relacionados a lesão direta ou compressiva do nervo fibular, a realização da neurólise ou neurorrafia, por um microcirurgião especialista em nervos pode devolver a função do nervo.

No entanto em casos crônicos ou em que a liberação do nervo não seja mais suficiente o tratamento conservador através do uso de órteses pode ser uma opção. Esses dispositivos tem o objetivo de manter o pé em uma posição mais rígida, melhorando a dinâmica da marcha.

Órtese confeccionada anatomicamente para o paciente | Dr. Rodrigo Macedo

Órtese confeccionada anatomicamente para o paciente com o objetivo de melhorar o posicionamento do pé e consequentemente melhorar a marcha.

Dentre as técnicas cirúrgicas disponíveis, quando a recuperação do nervo não é mais possível, existem as estáticas e as dinâmicas. As dinâmicas, que mantem a mobilidade são preferíveis, no entanto quando elas falham ou não são possíveis, as artrodeses, ou fusões ósseas, podem trazer  ótimos resultados.

A técnica dinâmica mais utilizada atualmente é a transferência do tendão tibial posterior para cunha lateral. Neste procedimento, um tendão, inervado por um nervo ativo é transferido de posição, passando a realizar o movimento de dorsiflexão que falha no indivíduo afetado pela síndrome do pé caído.

Após a cirurgia, um treinamento fisioterápico intenso é indicado para um treinamento cerebral da nova função desta unidade motora. Vários trabalhos demonstram melhora da qualidade de vida, qualidade da marcha, uso de calçados e realização de atividades cotidianas com esse procedimento.

Você apresenta síndrome do pé caído?
Procure um ortopedista especialista em tornozelo e pés de confiança. Quanto antes a avaliação for realizada, maiores as chances de sucesso no tratamento.

Sempre procure diagnóstico, orientações médicas e um plano de tratamento individualizado. O Núcleo de Ortopedia Especializada possui especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.


Referências:
www.abtpe.org.br|
Clin Orthop Relat Res. 2008;466(6):1454-66.
J Reconstr Microsurg. 2008;24(6):419-27.


FAQ

1. Qual a melhor órtese para síndrome do pé caído?

A confecção da órtese deve ser feita de modo individualizado a depender das características anatômicas do paciente e da causa da lesão. AS órteses tipo Spring Leaf , AFO ou Mola de Codvilla estão entre as mais utilizadas.

2. Como recuperar o nervo fibular?

Nas lesões agudas, sejam cortantes ou compressivas, a neurorrafia ou neurólise são as melhores indicações, Entretanto deve haver circunstâncias ideais, incluindo tempo de lesão para que essas abordagens sejam possíveis. Além disso as transferências nervosas podem ser possíveis em alguns casos selecionados.

3. Qual o melhor tratamento para a síndrome do pé caído?

Isso depende do tempo e da causa da lesão. Reparos e liberações do nervo fibular, órteses e cirurgias de transferências tendíneas ou artrodese estão entre as principais opções terapêuticas.

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