Instabilidade Crônica do Tornozelo

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Dor, desconforto, inchaço e principalmente insegurança ou instabilidade para caminhar ou correr, esses são os principais sintomas da instabilidade crônica do tornozelo.

Caracterizada por episódios recorrentes de entorse do tornozelo, a instabilidade normalmente ocorre devido ao comprometimento progressivo dos ligamentos que estabilizam a articulação (talofibular anterior, fibulocalcâneo e deltoide).

Os sintomas iniciais costumam ocorrer durante a prática de atividades esportivas, principalmente naquelas com impacto e ou mudança de direção, entretanto, à medida em que a patologia evolui, as torções podem ocorrer em atividades comuns do dia a dia, levando a lesões mais graves como as fraturas e artrose do tornozelo.

Quais são as principais causas da instabilidade crônica do tornozelo?

Didaticamente, essa patologia é dividida em dois grandes grupos:

  • Instabilidade Funcional
  • Mecânica

A instabilidade funcional, normalmente está relacionada à uma reabilitação ausente ou incompleta, e está diretamente ligada à disfunção do controle neuromuscular local.

O desequilíbrio que ocorre entre a musculatura inversora (que puxa o tornozelo para dentro) e a eversora (que puxa o tornozelo para fora) associado à falta de propriocepção e equilíbrio geralmente são os responsáveis.

Já a instabilidade mecânica, ou anatômica, está relacionada a uma frouxidão articular, normalmente ocasionada pela lesão ligamentar extensa. No exame físico pode ser identificada através de testes como a gaveta anterior, demonstrado na figura, estresse em varo ou valgo, a depender do ligamento acometido.

Instabilidade Crônica do Tornozelo | Dr. Rodrigo Macedo

Figura demonstrando o teste da gaveta anterior. A esquerda a imagem clínica do médico puxando o pé para frente e, relação a perna. À direita, as imagens de raios X demonstrando a instabilidade, através do tálus se movendo anteriormente em relação a tíbia.

A lesão da sindesmose tibiofibular é outra causa de instabilidade anatômica. A sindesmose é uma estrutura ligamentar formado pela membrana entre fíbula e a tíbia, associado aos ligamentos tibiofibular anterior e tibiofibular posterior, e é responsável por manter o pé estabilizado no tornozelo, entre a fíbula e a tíbia.

Outros fatores que também podem contribuir para instabilidade mecânica são a tenossinovite ou ruptura dos tendões fibulares ou a presença de deformidades no pé.

Instabilidade Crônica do Tornozelo | Dr. Rodrigo Macedo

Imagens de Tomografia Computadorizada com Estresse demonstrando instabilidade dinâmica da sindesmose. Na imagem superior, sem estresse, vemos que o espaço entre a fíbula e a tíbia é constante bilateralmente. Na imagem inferior, com estresse, vemos uma abertura anterior á direita, comparada com o lado contralateral.

Exames de Imagem

Depois de bem caraterizada através do exame físico, os exames de imagem auxiliam na identificação das estruturas lesadas para definição da melhor abordagem.

Atualmente, devido a capacidade de definição das estruturas ligamentares, a ressonância magnética é um dos exames mais solicitados para esse fim. Ele consegue demonstrar os principais ligamentos envolvidos da instabilidade, entre eles o fibulotalar anterior, o fibulocalcaenano, o deltoide, e os que compõem a sindesmose (tibiofibular anterior e tibiofibular posterior).

Instabilidade Crônica do Tornozelo | Dr. Rodrigo Macedo

Imagem de ressonância demonstrando o ligamento fibulotalar anterior extensamente lesado.

Como tratar a instabilidade crônica do tornozelo?

O tratamento não cirúrgico demonstra sucesso na maior parte dos casos. O objetivo desse tratamento consiste no fortalecimento da musculatura e controle proprioceptivo do paciente, em busca de compensar a instabilidade presente.

Essa linha de raciocínio costuma ser aplicada a outras articulações, como a glenoumeral (ombro), por exemplo.

Esse tratamento é baseado nos seguintes pilares:

  • Fisioterapia
  • Ajuste de atividades
  • Bandagens e Imobilizadores para prática esportiva

Quando o tratamento conservador falha, ou a estabilidade é grosseira, tratamento cirúrgico, baseado no reparo ou reconstrução das estruturas ligamentares lesadas pode estar indicado.

Instabilidade Crônica do Tornozelo | Dr. Rodrigo Macedo

Imagens do tratamento cirúrgico da instabilidade do tornozelo. À esquerda, reparo ligamentar do fibulotalar anterior e deltóide com uso de âncoras metálicas. À direita, fixação da sindesmose com parafusos de 3,5 mm.

Em última análise, a instabilidade, quando não tratada, pode levar a consequências irreversíveis, como a degeneração da cartilagem e artrose por traumas recorrentes. Se você apresenta sintomas de instabilidade do tornozelo, procure o seu ortopedista de confiança e faça uma avaliação.

Se você apresenta quadro compatível com Instabilidade Crônica do Tornozelo, procure o seu ortopedista de confiança.


FAQ

1. Qual a função dos ligamentos do tornozelo?

A principal função dos ligamentos do tornozelo é fazer que o tálus fique centrado na tíbia, ou seja, que pé fique bem posicionado em relação a perna, para que a articulação do tornozelo funcione de forma eficiente.

2. Como recuperar um ligamento rompido?

Nas leões agudas o protocolo de recuperação inclui:
• Repouso Articular
• Proteção articular com imobilizadores
• Carga e mobilidade precoce
• Gelo
• Analgesia
Nas lesões crônicas, é preciso identificar se decorre de uma reabilitação ineficiente ou de uma lesão anatômica.

3. Como o ligamento se regenera?

Os ligamentos sofrem reparo através de um processo cicatricial, através da formação de um tecido fibrótico. A mobilização precoce e reabilitação funcional tem papel fundamental no estimulo da formação de uma fibrose com melhor qualidade.

4. Quanto tempo demora para curar um ligamento rompido?

Em média a cicatrização fica entre 6 e 8 semanas, já a reabilitação cA grande maioria destas lesões melhora com tratamento conservador (sem cirurgia) através dos protocolos de reabilitação funcional precoce.

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