Fratura do Calcâneo

A fratura do calcâneo continua a ser um dos maiores desafios para os cirurgiões de pé. Ela está relacionada a queda de altura e traumas de alta energia, afetando cerca de 11 em cada 100.000 pessoas por ano ao redor do mundo. Sua anatomia complexa (fig.1 e 2), com a presença de 4 articulações, as três subtalares além da calcaneocuboídea associado a porosidade óssea e condições de partes moles locais, fazem que as fraturas do calcâneo estejam entre as que mais afetam a qualidade de vida dos pacientes.
 
Atualmente uma das melhores ferramentas para entender esse tipo de fratura e planejar a reconstrução é a tomografia computadorizada. A possibilidade de demonstrar detalhadamente cada um dos fragmentos, em múltiplos planos, permite que o cirurgião consiga efetuar um planejamento cirúrgico mais efetivo.
 
As vias de acesso também são desafiadoras, principalmente devido a vascularização deficitária da região. A via clássica, também chamada de lateral ampla, tem o formato de uma letra L e permite boa visualização da lesão , entretanto está associada a muitas complicações locais como necrose da ferida e infecção como demonstrado nas imagens abaixo.
 
Em contrapartida, a via do seio do tarso, ou minimamente invasiva, tem se mostrado uma excelente opção para a abordagem da fratura. Ela permite boa visualização dos fragmentos articulares com um menor índice de complicações locais relacionadas a via. Esta via permite uma boa montagem dos fragmentos e fixação com parafusos ou placas bloqueadas, como demonstrado nas figuras abaixo. Após o tratamento cirúrgico, é necessário um tempo sem realizar apoio total com o membro operado, enquanto vai evoluindo gradativamente nos exercícios de mobilidade e fortalecimento. Nas fraturas mais graves, muitas vezes podem ser necessários outros procedimentos subsequentes como a fusão da articulação subtalar, quando esta evolui para um quadro de degeneração irreversível e doloroso.
 
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