O pé diabético representa uma das complicações mais graves e comuns do diabetes não controlado, caracterizada por feridas que não cicatrizam, infecções e, em casos extremos, a necessidade de amputação.
Entenda mais sobre o que é o pé diabético, quais são os riscos e medidas preventivas que os pacientes podem tomar para evitar consequências graves, neste artigo do Dr. Rodrigo Macedo, ortopedista especialista em Cirurgia de Pé e Tornozelo.

O que é o pé diabético?
O “pé diabético” pode ser considerado um estado fisiopatológico caracterizado por lesões que surgem nos pés do paciente que tem diabetes, e que ocorrem como consequência de neuropatia, doença vascular periférica e de deformidades.
- Em resumo, o paciente reduz ou perde a sensibilidade nos tornozelos e pés, aumentando o risco de lesões justamente por não sentir a dor da maneira normal, perdendo os mecanismos de proteção.
- Essa ferida fica propícia à infecção, principalmente porque o paciente portador de diabetes tem o sistema imunológico mais “fraco”, assim, ficando mais vulnerável a contaminação por fungos e bactérias.
- O sistema vascular desses pacientes em geral também apresenta déficits, que dificulta o processo de cicatrização e a capacidade dos antibióticos chegarem ao local acometido. Isso favorece a cronificação da lesão.
- Esse ciclo vicioso ocorre, aumentando a profundidade e tamanho da lesão, acometendo todos os tecidos em volta, podendo se espalhar por outras regiões do corpo.
Como começam as lesões do pé diabético?
As lesões do pé diabético geralmente decorrem de pequenos traumas em um pé com redução da sensibilidade periférica e, frequentemente, se complicam com ulceração, infecção superficial ou profunda, ocasionadas por falhas no processo de cicatrização.
Essas lesões em geral ocorrem em áreas de deformidades, sejam elas maiores ou menores, como uma garra no dedo, um joanete, um volume aumentado no calcâneo, que quando atritam no calçado vão provocando o início da lesão tecidual.
Caso não seja tratada imediatamente e de forma adequada, esta lesão pode levar até mesmo a amputação do membro afetado.

Portanto, deve-se buscar imediatamente orientação médica a qualquer sinal de lesão nos pés em pacientes diabéticos, para que possa ser feito o tratamento mais adequado.
Dr. Rodrigo Macedo e sua atuação no pé diabético
Desde 2017, o Dr. Rodrigo Macedo atua semanalmente no cuidado dos pacientes portadores de pés insensíveis secundário a diabetes no IOT-HCFMUSP (Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Essa atuação trouxe à sua carreira uma vasta experiência com esse tipo de paciente e de lesão.

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Quais são as taxas de amputação devido ao pé diabético?
Mais da metade das amputações não traumáticas de membros inferiores estão relacionadas ao diabetes. Além disso, o risco de amputação nesses pacientes é cerca de 10 vezes maior do que na população geral.
Do total de pacientes diabéticos que precisaram de amputação, até 20% deles foram submetidos a uma segunda amputação, que geralmente ocorre cerca de doze meses após a primeira.
Ademais, nos cinco anos seguintes à amputação inicial em pacientes com diabetes, de 28% a 51% dos que sobreviveram precisarão submeter-se a uma segunda intervenção no mesmo membro.
Com base nessas informações, que são estatísticas, precisamos compreender a gravidade desse tipo de problema e o quão importante é tomarmos medidas para tratar da forma mais precoce possível as lesões que surgem nesses pacientes, bem como PREVENIR o surgimento de outras lesões. Assim, qualquer consulta que esses pacientes sejam submetidos deve ser encarada como uma oportunidade de enfatizar conceitos educativos, atuando na prevenção de lesões!

Qual o maior fator de risco para a amputação do pé em diabéticos?
A neuropatia periférica é caracterizada por um dano nos nervos periféricos, que pode afetar a sensibilidade dos pés e fazer com que feridas, cortes ou outras lesões passem despercebidas e corram o risco de infecções. No caso de pacientes com diabetes, o excesso de “açúcar” no sangue, leva a lesão dos nervos levando à neuropatia periférica, que pode conduzir à ulceração do membro inferior.
Este fator de risco está presente em cerca de 85% dos casos e pode comprometer as fibras sensitivas, as motoras e as autonômicas. O componente sensitivo produz perda gradual da sensibilidade à dor, percepção da pressão plantar e de temperatura. Isso faz que o paciente apresente lesões a pequenos traumas, muitas vezes dentro do próprio calçado, que não percebe e, devido a diminuição da vascularização e da capacidade de defesa local, leva a infecção secundária e, muitas vezes, a necessidade de amputação.
Portanto, PREVENIR a neuropatia periférica deve ser o foco no tratamento do paciente portador do diabetes. Mas como fazer isso?
É possível prevenir o pé diabético?
Sim, existem alguns cuidados que pacientes diabéticos podem ter para evitar o risco de desenvolvimento deste estado fisiopatológico. O primeiro ponto deve ser sempre o controle da doença de base! O controle glicêmico (dos níveis de açúcar no sangue) desses pacientes está diretamente relacionado a prevenção da neuropatia. Além disso, uma vez com neuropatia ele continua sendo importante.
Ao ortopedista, cabe sempre que avaliar um paciente com diabetes, enfatizar a prevenção das complicações nos pés, buscando fatores que poderão estar envolvidos direta ou indiretamente na instalação dessas complicações e as consequências delas na vida do paciente.

Deve-se destacar, principalmente, o controle do diabetes. No entanto, algumas outras medidas para evitar desfechos catastróficos que podem levar a amputação de membros em pacientes diabéticos incluem:
- Orientações quanto aos calçados;
- Higiene e cuidado principalmente na região entre os dedos;
- Olhar diariamente os pés (é importante lembrar que muitos desses pacientes têm dificuldade de mobilidade e redução da acuidade visual, portanto, PRECISAM DE AJUDA!);
- Manter sempre o controle dos níveis glicêmicos;
- Correção precoce de deformidades.
CARACTERÍSTICAS DOS CALÇADOS QUE AUXILIAM NA PREVENÇÃO DAS LESÕES NOS PÉS DE PACIENTES PORTADORES DE DIABETES:

Ponto de atenção!!!
Pacientes diabéticos com o pé em risco não devem andar descalço, com meias ou chinelos de sola fina, nem mesmo em casa!!

Uma vez que surgiu a lesão, como tratar?
O tratamento das lesões desses pacientes é extremamente individualizado e visa controlar cada uma das etapas que estarão listadas a seguir:
Controle da infecção
A infecção coloca o paciente em risco e, realizar desbridamentos de tecidos desvitalizados e limpeza dos focos de infecção com culturas e identificação dos germes que estão contaminando, associado ao uso de antibióticos, é um dos focos mais importantes quando se visa preservar o membro e, principalmente, a vida do paciente!

Desbridamentos e tecidos desvitalizados
Em pacientes sem sinais de infecção profunda, o tratamento com dispositivos de controle da pressão nos pés, desbridamentos seriados e antibióticos podem ser suficientes para fechar as ulcerações.

Controle das Deformidades
As deformidades podem ser o fator predisponente, e corrigi-las faz parte do tratamento, pois elas podem perpetuar a lesão.

VOCÊ APRESENTA OU CONHECE ALGUÉM PORTADOR DE PÉ DIABÉTICO?
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Sempre procure diagnóstico, orientações médicas e um plano de tratamento individualizado. O Núcleo de Ortopedia Especializada possui especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.
O controle glicêmico e a prevenção desempenham papéis importantes no cuidado com o pé diabético, minimizando o risco de complicações graves e melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Se você tem diabetes e está apresentando sintomas como dor, dormência, ou qualquer alteração na pele ou formato dos pés, é indispensável procurar acompanhamento médico. Agende uma avaliação com o Dr. Rodrigo Macedo e garanta um tratamento adequado para a sua lesão.
FAQs
Sempre precisa operar um paciente com úlcera no pé diabético?
A resposta é NÃO! Paciente com úlceras superficiais e sem deformidades grosserias se beneficiam bem com os desbridamentos seriados e ajuste de calçados.
A ferida no pé do paciente com pé diabético é grave?
SIM! Essas lesões devem ser tratadas o quanto antes, com o intuito de diminuir a expansão da lesão e preservação do membro.
Existem técnicas minimamente invasivas para esses pacientes?
Existem, porém, mais importante do que a técnica escolhida para realizar o procedimento, é seguir os princípios de controlar a infecção, corrigir as deformidades e salvar em primeiro lugar a vida e, quando possível, o membro do paciente.




